RETROFITTING: MODERNIZAR PRÉDIOS ANTIGOS PODE REDUZIR CUSTOS DE OBRAS EM ATÉ 77%
Entre demolir ou requalificar, o retrofitting surge como solução mais econômica e sustentável para modernizar prédios antigos, revitalizar centros urbanos e preservar histórias.
Assessoria de Comunicação

Em 2026, as reformas em prédios históricos têm ganhado cada vez mais espaço no mercado arquitetônico nacional. Segundo a pesquisa “Circularity in the Built Environment: Unlocking Opportunities in Retrofits”, publicada pelo World Economic Forum (WEF), o fenômeno do retrofitting – processo de modernização de edifícios antigos – é capaz de reduzir os custos de construção em até 77% e as emissões de carbono em até 75%, quando comparado à construção de um novo prédio.
Além da economia financeira e ambiental, o estudo aponta que os cronogramas de obra se tornam significativamente mais curtos, assim como os gastos com insumos. Para dimensionar o impacto, o WEF indica que 80% das construções existentes hoje ainda estarão de pé em 2050, o que significa que precisarão ser recicladas, atualizadas e remodeladas para novos usos.
Global net-zero: o papel das reformas na agenda climática

De acordo com as projeções da organização, se o mercado global de construção e retrofit alcançar a estimativa de US$ 3,9 trilhões até 2050, o retrofitting pode cumprir metas e critérios de “global net-zero”. Na prática, isso representaria a redução de cerca de 500 milhões de toneladas em emissões de carbono, além de uma economia de aproximadamente US$ 600 bilhões em entulhos que deixariam de ser destinados a aterros sanitários.
Nesse contexto, a modernização de edifícios existentes passa a ser vista não apenas como alternativa técnica ou financeira, mas como uma estratégia central para a agenda climática e para a transição rumo a cidades mais resilientes.
Por que o retrofit cresce no Brasil
Para a arquiteta e designer de interiores Rafaela Giudice, especialista em obras rápidas e à frente do escritório BESPOKE DELA, o crescimento do retrofitting no Brasil acontece por diversos fatores estruturais – sobretudo o custo. Segundo ela, é financeiramente mais viável reformar um prédio antigo do que construir um novo do zero, em um cenário marcado por demandas sociais, demográficas, sustentáveis e econômicas.
“Quando o assunto são os grandes centros das nossas capitais, lembramos de um passado de regiões movimentadas a qualquer hora do dia. Infelizmente, hoje a maioria desses centros está abandonada ou ocupada apenas por escritórios durante a semana, deixando ruas desertas e inseguras. Quando falamos de reformas, é importante destacar que é muito mais barato reformar um prédio antigo do que construir um do zero. Além de ter muito menos impacto ambiental, esse imóvel pode ser requalificado e vendido para mercados de classes mais altas, revelando uma tendência de reocupação de espaços lindos, históricos e cheios de personalidade”, explica.
Reocupação dos centros urbanos e novos usos

Entre os motivos que levam à escolha do retrofitting, Rafaela destaca os ganhos estéticos, emocionais e econômicos. Na visão da arquiteta, esses imóveis costumam trazer características que hoje são altamente desejadas, como pé-direito alto, vãos amplos, janelas generosas e pisos de madeira – elementos que, somados, transformam o imóvel em um verdadeiro investimento.
Os projetos de retrofit também dialogam com uma pauta urgente nas grandes cidades: a reocupação de áreas centrais, muitas vezes esvaziadas ao longo das últimas décadas. Ao modernizar prédios antigos, preservar fachadas históricas e atualizar a infraestrutura, esses empreendimentos ajudam a devolver vitalidade a regiões antes abandonadas.
Arquitetura, memória e emoção nos imóveis antigos

“Os imóveis carregam a história dos seus moradores. É mágico descobrir pisos de madeira escondidos e paredes de tijolinhos camufladas. São os pequenos elementos e detalhes que contam a história da época em que aquele espaço foi construído. Nosso desafio é revisitar a história de quem esteve ali e construir uma nova história para quem chega agora. Quando o/a cliente topa viver essa jornada, ganhamos ainda mais espaço para criar memórias”, conta.
Mais do que uma solução técnica, o retrofitting se torna, assim, um exercício de curadoria da memória construída: recupera camadas, revela texturas, atualiza o uso e cria novas narrativas para edifícios que poderiam simplesmente ter sido demolidos.
Desafios técnicos nas reformas

De acordo com a gestora do BESPOKE DELA, as maiores dificuldades técnicas dos projetos costumam estar nas renovações das áreas hidráulicas e elétricas – especialmente na inclusão de ar-condicionado e sistemas de água quente a gás, que exigem planejamento cuidadoso, compatibilização de infraestrutura e atenção redobrada durante as obras.
Essas etapas estruturais, embora mais complexas, são fundamentais para garantir conforto térmico, eficiência energética e segurança, mantendo o equilíbrio entre o encanto da arquitetura original e as demandas da vida contemporânea.
Casos reais: projetos que valorizam o imóvel com retrofit
Especialista no tema, Rafaela tem o retrofitting como protagonista em grande parte de seu portfólio atual. Projetos como Conquista, Primavera, Helena, Volpi, Cheio de Bossa e Amoroso evidenciam essa tendência de redescobrir espaços e revelar suas surpresas.

“Gosto de trazer alguns projetos que exemplificam bem o retrofitting, das pequenas descobertas aos valores que esses imóveis podem alcançar. No ‘Projeto Conquista’, por exemplo, tínhamos uma casa de vila em que o piso estava coberto por um carpete horroroso e sujo. Embaixo dele, encontramos um taquinho intacto, combinando perfeitamente com as paredes de tijolinhos aparentes. Já no ‘Projeto Helena’, era um apartamento com três quartos, um banheiro social e um de serviço. Reconfiguramos a planta para dois quartos, com uma suíte e um super closet. O imóvel foi vendido em menos de 10 dias, com lucro líquido de 33%. É assim que contamos novas histórias, preservando a memória e adaptando tudo à modernidade”, conclui.
Com isso, o retrofitting se consolida como um caminho estratégico para quem busca unir viabilidade econômica, responsabilidade ambiental e valorização do patrimônio arquitetônico – desenhando um futuro mais sustentável a partir dos edifícios que já existem.

