EU E ARQUITETURA

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ARQUITETURA e EU EU e a ARQUITETURA

Minha história com a arquitetura começou ainda criança, quando, sem hesitar, decidi que esse seria o meu caminho. Apesar de muitos questionarem se eu não teria interesse por outras áreas, a paixão por projetar e criar sempre falou mais alto em mim. Lembro do meu encantamento com uma escada helicoidal na casa de uma amiga cujo pai era arquiteto. Elemento simples, mas que, na minha mente jovem, davam vida à arquitetura. Esses momentos, somados à convivência com a arquitetura da minha cidade natal, foram fundamentais para a formação do meu olhar e da minha visão sobre o que é ser arquiteta.

Cresci em um ambiente planejado, com ruas largas, praças para convivência e edifícios que traziam a sensação de conforto e bem-estar. A arquitetura de minha cidade sempre me encantou, e aos poucos, fui percebendo como essa linguagem estava presente no meu cotidiano, como as varandas de marmorite, feitas com pedaços de madrepérolas, ou os traços da arquitetura modernista da casa onde nasci, me marcaram desde muito pequena. Suas linhas puras com grandes vãos e paredes que invadiam os jardins, me fizeram entender que a arquitetura é, antes de tudo, uma forma de unir pessoas e espaços de maneira inteligente e generosa.

Essa influência se estendeu ao longo da minha formação acadêmica. Na faculdade, fui solidificando meu desejo de criar projetos que não apenas embelezassem, mas que envolvessem um propósito maior: promover a convivência e o bem-estar. A arquitetura deve ser um ato de generosidade, um meio de criar espaços que atendam às necessidades do outro, que propiciem harmonia e respeito. Esse conceito ficou ainda mais forte em mim durante minha experiência em Barcelona, onde vivi por mais de dois anos, durante o meu mestrado. A cidade me ensinou o valor de uma arquitetura que respira cultura, que se reinventa e que é capaz de acolher as diferentes culturasque a habitam.

Aprendi que o exercício da arquitetura vai além do simples ato de projetar; ele é, na verdade, um processo contínuo de aprendizado e de conexão com o outro. Ao fundar a Revista Abreu com minha irmã, Laila, e meu amigo, Rafael, dei um passo significativo para expandir esse conhecimento e compartilhar as inovações da nossa área. A Revista nasceu do desejo de criar uma plataforma que, além de inspirar, pudesse envolver profissionais e entusiastas das áreas de design, engenharia e arquitetura. E esta edição #17 é um marco importante para nós: a nossa primeira versão impressa. Queremos, e temos conseguido, nos consolidar a cada dia como o ponto de convergência para todos as pessoas que integram esse universo.

Minha paixão pela arquitetura, entretanto, não se limita ao plano teórico. Ela se manifesta em cada
espaço projetado, em cada desafio superado e, especialmente, na inspiração que podemos proporcionar aos outros por meio do que criamos.

Hoje, como arquiteta e professora no curso de Arquitetura e Urbanismo, sigo acreditando que a arquitetura é uma jornada contínua de descoberta e de generosidade. Ela é mais do que uma profissão: é uma forma de arte que precisa ser pensada com empatia e respeito, um meio de melhorar a qualidade de vida das pessoas e de conectar o homem ao ambiente que o cerca. Desde a minha infância em Ipatinga até os dias de hoje, essa busca pela união e pela criação de espaços que inspirem e acolham continuará a ser o fio condutor de minha trajetória.

A arquitetura, para mim, é como um grande pergolado: um elemento que une, que transita entre o exterior e o interior, que pode ser simples, mas que carrega em sua essência a ideia de que cada espaço precisa cumprir seu papel de transformar a vida das pessoas de forma mais humanizada e mais generosa.

Patricia Abreu, arquiteta e professora universitária Foto Petronio Amaral

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