VIAGENS E ARQUITETURA
DAS HISTÓRIAS DE FAMÍLIA ÀS ESTRADAS DE TODO DIA, AS VIAGENS AJUDARAM A FORMAR O OLHAR QUE HOJE DESENHA A ARQUITETURA QUE EU FAÇO.
Na minha família, viajar sempre foi algo natural. Minha mãe engravidou de mim logo depois de voltar de uma temporada de seis meses no Japão, acompanhando meu pai, que foi fazer um estágio. Quando nasci, minha bisavó, brasileira, mas morando em Belgrado, atravessou o oceano para me conhecer. De tempos em tempos, uma tia-avó diplomata aparecia com histórias incríveis. Lembro especialmente de quando ela e minha avó atravessaram o Saara e, sem água, usaram melancias – isso mesmo, melancias – para escovar os dentes. Cresci ouvindo histórias que deixavam claro que o mundo era grande demais para caber só em livros.
Em casa, meus pais sempre nos incentivaram a conhecer lugares novos. E nem sempre é necessário atravessar o mundo. Às vezes, a descoberta está logo ali: na cidade vizinha, numa praia escondida, numa pousada na serra. Eu, particularmente, gosto de viajar de carro: posso parar quando quero, olhar com calma, voltar se algo chamar atenção. Além dos lugares, o que mais marca são as pessoas que a gente encontra pelo caminho.
Quando escolhi a arquitetura, essa vontade de ver o novo só aumentou. Ampliar a bagagem cultural deixou de ser apenas um gosto pessoal e virou parte do trabalho. Aprendemos muita coisa vendo filmes, pesquisando na internet ou lendo, mas estar num lugar, andar pelas ruas, sentir o clima e observar como as pessoas vivem é outra história.
É curioso como, muitas vezes, passamos pelo mesmo trajeto sem enxergar de verdade. De repente, num dia qualquer, vem o pensamento: “Como nunca reparei nisso?”. Viajar é isso: aprender a reparar melhor nas coisas.
A viagem aumenta nosso repertório, mas também ajuda a entender o outro, a ver como as pessoas moram, trabalham, se encontram. Pela arquitetura, vamos percebendo as soluções que cada lugar encontra para os mesmos problemas. No fim das contas, viajar é uma forma de conhecer o mundo e, pouco a pouco, aprender a projetar com mais cuidado para quem vive nele.
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