ARQUITETURA E PAZ: REFLEXÕES A PARTIR DO GUERNICA
Em 1988, durante uma viagem à Europa, tive a oportunidade de visitar o Museu do Prado em Madrid. Enquanto explorava as salas do museu, deparei-me com uma obra que deixou uma marca indelével em mim: o Guernica, de Pablo Picasso, exibido em uma sala lateral (Casón del Buen Retiro). Com a criação do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, o mural foi transferido para lá.
Pesquisando sobre arquitetura e paz, me recordei desse “encontro” e decidi me aprofundar um pouco mais na origem da obra concebida como uma resposta aos horrores da Guerra Civil Espanhola, não apenas pelo impacto visual, mas também por despertar uma reflexão profunda sobre o papel da arte e, por extensão, da arquitetura na promoção da paz e da reconciliação.
Segundo Picasso, “La pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo”, essa afirmação tem ressoado em minha mente e me levado a questionar como a arquitetura pode contribuir para um mundo mais pacífico.
Como arquiteta urbanista, tenho procurado explorar maneiras pelas quais a arquitetura pode promover a paz e a harmonia. Ao projetar espaços habitáveis, busco criar ambientes que incentivem a convivência pacífica e o entendimento mútuo entre as pessoas. Criar espaços onde as pessoas possam conviver em harmonia com respeito e dignidade.
Acredito que a arquitetura, quando concebida com sensibilidade e empatia, pode desempenhar um papel significativo na promoção da paz. Incorporar princípios de sustentabilidade, acessibilidade e inclusão aos projetos é uma maneira de contribuir para um ambiente construído que promova a coexistência pacífica.

Assim como o Guernica continua a inspirar reflexões sobre os horrores da guerra, espero que a prática como arquiteta possa contribuir para a construção de um mundo onde a arquitetura seja um símbolo não apenas de beleza estética, mas também de paz e reconciliação.
Voltando a mesma tecla de sempre, a arquitetura precisa ser um ato de generosidade, onde o arquiteto se coloca no lugar do outro, conhece suas demandas e toma decisões que satisfaçam essas necessidades.
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