EU E ARQUITETURA
A os onze anos decidi que queria ser arquiteta. Nunca mudei. Me
lembro que próximo a época do vestibular, muito me perguntavam porque eu não faria medicina. Medicina? Eu? Não, eu queria
ser arquiteta.

Por muito tempo acreditei que isso era somente influência do
querido professor José Oswaldo Moreira, pai de uma grande colega nessa época.
Quando ia passar os dias na casa deles, me encantava com uma
escada helicoidal que levava ao segundo pavimento da casa e uma prancheta alta
com plástico verde, no canto do quarto de casal
Mas aquela arquitetura que encontrei em Belo Horizonte da década de 80 não se
identificava comigo. A minha ideia de projeto era diferente, não tinha as telhas francesas do Funcionários, nem os telhados coloniais das casas do Belvedere.
Hoje entendo que minha paixão pela arquitetura, é muito mais antiga. Nasci em
Ipatinga, uma cidade planejada, com ruas largar e praças para convivência.

Uma cidade pensada para o bem estar das pessoas.
Colégio com salas grandes, hotéis e clubes para
toda a população.
Desde criança convivi com platibandas, pergolados,
lajes planas, balanços, planos soltos no jardim…
Demorei a entender, mas essa linguagem arquitetônica sempre fez parte do meu cotidiano.
Me recordo das inúmeras tardes que passei observando o “marmorite” preto das varandas da
minha casa, feito com pequenos pedaços de
madrepérolas recuperadas das areias fornecidas à Usiminas.
O traço do grande Rafael Hardy veio comigo.

Meus pais se mudaram para uma casa projetada
por ele quando minha mãe ainda estava grávida
de mim. Desde criança valorizo suas linhas puras, seus grandes vãos, suas paredes que invadem os jardins, e os pergolados.
Fico pensando como devia ser inteligente quem
projetou o primeiro pergolado. Um elemento arquitetônico que une blocos, que faz a transição
entre o exterior e o interior, que controla a quantidade de luz. Que pode ser coberto ou pode apenas definir um jardim.
Ah, os pergolados…
Arquitetura para mim é como eles, é união, é generosidade, é ir ao encontro do outro fazendo
com que ele viva melhor.

