DESIGN GRÁFICO E ARQUITETURA

A relação entre o design, sob as mais variadas óticas e a arquitetura ganha cada vez mais proximidade

A relação entre o design, sob as mais variadas óticas e a arquitetura ganha cada vez mais proximidade

Designers gráficos definitivamente não são arquitetos e vice-versa, mas ambos são responsáveis por traçar as características predominantes de qualquer projeto, sejam elas visuais ou funcionais. Por este motivo, são profissões que podem e devem atuar de forma totalmente colaborativa. O olhar de uma interfere positivamente e de forma complementar à outra. As novas tecnologias contribuíram muito para aproximar ainda mais estes profissionais, fazendo com que os resultados dessas colaborações saltem aos olhos dos espectadores de uma forma que num primeiro momento pode até parecer algo despretensioso, mas certamente envolve muita pesquisa e estudo de ambas as partes.

O designer Gustavo Greco, um dos brasileiros mais premiados no segmento, é um dos profissionais mais requisitados do mercado em função da sua vasta experiência. A empresa criada por ele explora todas as transversalidades do design e com a arquitetura não seria diferente. “O design é transversal e seu encontro com a arquitetura é recorrente. No caso da Greco, essa união se dá principalmente em projetos de sinalização e na construção de espaços comerciais, em um movimento de enfatizar, mutuamente, os conceitos criados por ambos (design e arquitetura). Ao entendermos a marca como a percepção e expectativas que residem na mente e no coração das pessoas a respeito de uma empresa, a união dessas duas disciplinas torna potente a materialização do seu discurso. E quanto mais cedo, em um projeto, esse trabalho conjunto começa, mais coerentes e consonantes serão os resultados”, reflete o designer Gustavo Greco, fundador da Greco Design.

Por conta dessa versatilidade, coube à Greco a oportunidade de desenvolver todo o projeto de identidade do Conjunto Moderno da Pampulha, quando da candidatura ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, do qual saiu vitorioso. Todo o projeto se baseia na relação das formas geométricas predominantes nos três principais elementos do Conjunto Moderno: a arquitetura de Niemeyer, o paisagismo de Burle Marx e o espelho d’água da Lagoa da Pampulha. O resultado dessa integração foi a criação de uma tipografia única, que se utiliza desses elementos, revelando a palavra Pampulha apenas quando em conjunto. Assim como acontece na realidade, o complexo só existe quando se une arquitetura (quadrado), paisagismo (círculo) e espelho d’água (um quarto de círculo).

Fotos: Divulgação

O projeto de Gustavo Greco foi transformado inclusive em um dos ambientes da CASACOR Minas 2016.

Foto: Netun Lima
CASACOR 2016 - Projeto Greco Design

Pensado na simbiose entre a arquitetura e a sinalização dos ambientes, a Greco foi acionada para desenvolver este projeto para o Centro de Experiências do Atlético, onde os torcedores podem acompanhar a evolução das obra da ARENA MRV. O projeto é uma forma de fazer com que os torcedores do Galo possam começar a sentir o clima do novo. E neste caso, a sinalização e arquitetura precisaram entrar juntas em campo.

A dupla de designers Kako Corrêa e Kleber Lommez, fundadores da K2 Studio & Co possuem uma ampla afinidade com a área de arquitetura. A relação com criação de intervenções gráficas para a composição de ambientes teve início em 2001, quando desenvolveram um painel para a extinta boate Gloss, inaugurada em Salvador(BA), pelo cantor Edson Cordeiro. O Painel de 3,50 x 3,50m com pegada PopArt, foi a porta de entrada para um caminho sem volta. O encontro com a arquiteta Lena Pinheiro inaugura uma extensa parceria do trio, que já rendeu projetos diversos. Entre os destaques desta parceria, está o projeto gráfico criado para CASACOR Minas 2017. Ocupando toda extensão da escadaria principal do antigo casarão da Rede Ferroviária Federal, o painel em grande formato, impresso em alta resolução, foi instalado com o processo de mapeamento das paredes, permitindo a visão em todos os três andares do edifício. Não à toa foi um dos espaços mais fotografados pelos visitantes, além de ter estampado a capa da revista produzida pela mostra.

Foto: Samuel Mendes

A dupla de designers Kako Corrêa e Kleber Lommez

Divulgação

Em 2018, a dupla retoma à mostra, desta vez com uma intervenção criada com o apoio do Rijksmuseum, com sede em Amsterdam. Executado a partir de obras do século XVII, de Jan D. de Heem, que foram desconstruídas digitalmente e remontadas com processo de mapeamento tridimensional do espaço, criando um dos espaços mais instagramáveis da mostra. O piso, criado com efeito óptico, foi uma sensação à parte, provocando diversas reações no público. Como peças de divulgação do ambiente foram desenvolvidos uma mala direta – que montava o ambiente em escala, além de protetores de tela para celular.

Fotos: Samuel Mendes

No mesmo ano, a dupla mineira também foi convidada por Lena Pinheiro para uma participação na Mostra Modernos & Eternos, onde apresentaram um painel gráfico criado em homenagem a Athos Bulcão.

Divulgação

Além das mostras, a dupla também desenvolve projetos residenciais, como este também assinado pela experiente Lena Pinheiro. Aqui, a proposta foi a criação de um grande painel, que avança por vários ambientes, a partir de imagens extraídas de 25 obras de Jean-Michel Basquiat.

Divulgação
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