Estrutura em aço permitiu erguer residência em terreno com 60% de inclinação utilizando apenas quatro pontos de fundação, preservando as árvores e concluindo a obra em seis meses
Como construir em um terreno com 60% de inclinação, de difícil acesso e cercado por árvores que precisavam ser preservadas? Em Araras, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a solução encontrada para a ampliação de uma residência foi fazer com que a nova construção praticamente “flutuasse” sobre o terreno. Elevado e apoiado em apenas uma linha de quatro pontos de fundações profundas, o novo volume utiliza a construção em aço para vencer grandes vãos e balanços, reduzir a interferência na topografia e preservar um importante conjunto de cerejeiras existente no local. Tudo isso diante de outro desafio: um prazo de apenas seis meses para execução da obra.

De autoria do escritório Venta Arquitetos, o projeto foi concebido a partir da necessidade de combinar leveza estrutural, rapidez de execução e respeito às características naturais do terreno. Situada na parte mais elevada da propriedade, a construção exigia uma solução capaz de interferir minimamente no solo e, ao mesmo tempo, lidar com as dificuldades logísticas impostas pela declividade e pelas condições de acesso.
“O maior desafio foi atender ao exíguo prazo de seis meses, em um sítio de implantação de difícil acesso, com acentuada declividade e com uma profusão de árvores que tínhamos o compromisso de manter”, afirma Gregório Rosenbusch, sócio-fundador do Venta Arquitetos, responsável pelo projeto.
A estratégia foi concentrar a ampliação em um único volume elevado, sustentado por poucos pontos de apoio e dotado de um pequeno pátio aéreo de acesso às suítes. A solução criou o afastamento necessário para preservar as cerejeiras e permitiu que a nova edificação tocasse minimamente o terreno.
“Para preservar o meio ambiente ao máximo e dar conta das peculiaridades do sítio, decidimos elaborar uma construção aérea que tocasse minimamente o solo, preservando-o praticamente como foi encontrado. Para isso, a construção em aço surgiu rapidamente como alternativa, em particular pelo seu desempenho estrutural, uma vez que pretendíamos ter poucos pontos de apoio e, consequentemente, vãos maiores que os convencionais, assim como balanços em todas as direções”, destaca Gregório.
Segundo o arquiteto, além da inclinação do terreno e da necessidade de preservação ambiental, fatores como prazo, condições de acesso, limitação de orçamento e organização do canteiro também foram determinantes para a escolha do sistema construtivo em aço.
A obra utiliza fundamentalmente perfis I e piso em Painel Wall, associados a fechamentos em drywall e tratamento de fachada com ripas de madeira. A combinação de sistemas industrializados também ajudou a reduzir intervenções e desperdícios em um canteiro com características pouco convencionais.
“Como se trata de um canteiro aéreo, estes sistemas contribuem para evitar, junto da estrutura em aço, o uso intensivo de madeira para escoramento e o desperdício que decorre desta técnica”, explica Gregório.
Para o arquiteto, a experiência do projeto também evidencia um potencial mais amplo da industrialização para transformar a construção civil brasileira. Ele avalia que a construção em aço pode contribuir para modernizar um setor ainda marcado por processos convencionais de execução, aumentando o nível de qualidade e tecnologia e oferecendo respostas inclusive para desafios como o déficit habitacional.
De acordo com o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), a escolha pela estrutura metálica nesse projeto ganhou força justamente por responder a quatro condicionantes centrais: implantação em terreno difícil, menor interferência no solo, respeito ao meio ambiente e execução dentro de um prazo total curto.
A entidade destaca que esse e outros projetos vêm adotando a construção metálica por características como leveza, sustentabilidade, capacidade de vencer grandes vãos, velocidade de montagem, precisão construtiva e redução das interferências no terreno. O sistema também amplia a liberdade espacial da arquitetura e permite futuras reconfigurações dos ambientes sem comprometer a concepção arquitetônica.

