a força do concreto como linguagem arquitetônica
Entre concreto aparente, grandes estruturas e espaços coletivos, o brutalismo
ganhou no Brasil uma identidade própria, marcada pela monumentalidade, pela
expressão estrutural e pela valorização do espaço de convivência.
O brutalismo surgiu e se consolidou internacionalmente no período do pós-guerra,
principalmente entre as décadas de 1950 e 1970. O termo está relacionado ao francês
béton brut, ou “concreto bruto”, e caracteriza uma arquitetura que valoriza os
materiais em seu estado aparente, sem revestimentos que escondam sua textura e sua
estrutura.
Mais do que uma estética, o brutalismo propunha uma arquitetura em que a própria
construção pudesse ser percebida. Concreto, pilares, vigas, grandes vãos, rampas e
instalações passaram a integrar a composição dos edifícios, revelando sua lógica
estrutural.

Uma linguagem brasileira
No Brasil, essa influência ganhou características particulares. O brutalismo foi
incorporado por diferentes arquitetos e escolas, especialmente a partir dos anos 1950,
e passou a dialogar com questões como o clima, as técnicas construtivas disponíveis e,
principalmente, a ideia de arquitetura como espaço de uso coletivo.
São Paulo tornou-se um dos principais polos dessa produção, associada à chamada
Escola Paulista, tendo nomes como Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha entre
seus principais representantes.
Um dos exemplos mais emblemáticos é a FAU-USP, projetada por Vilanova Artigas e
Carlos Cascaldi. O edifício utiliza o concreto aparente e grandes vãos para criar espaços
integrados, nos quais circulação, estrutura e convivência fazem parte de uma mesma
experiência arquitetônica.

Concreto, cultura e convivência
A relação entre arquitetura e vida coletiva também aparece em importantes obras de
Lina Bo Bardi. Projetos como o MASP e o SESC Pompeia apresentam forte diálogo com
essa linguagem.
No MASP, o grande volume suspenso sobre pilares libera o térreo e transforma o
espaço sob o edifício em uma área pública.

No SESC Pompeia, estruturas industriais existentes foram preservadas e combinadas a
novos volumes de concreto aparente, criando um complexo dedicado à cultura, ao
esporte e à convivência.

Uma arquitetura que permanece
Apesar de ter enfrentado críticas ao longo das décadas, o brutalismo voltou a
despertar interesse na arquitetura, no design e na cultura contemporânea. Sua
estética forte, marcada pela geometria, pela materialidade e pela monumentalidade,
continua influenciando novos projetos e também alimentando debates sobre
preservação e patrimônio.
Essa permanência chegou também ao cinema com O Brutalista, dirigido por Brady
Corbet. O filme utiliza a arquitetura como elemento fundamental da narrativa ao
acompanhar a trajetória de um arquiteto húngaro que chega aos Estados Unidos após
a Segunda Guerra Mundial. A obra aborda temas como imigração, reconstrução, poder
e memória, aproximando a arquitetura das próprias experiências humanas.
No Brasil, o brutalismo ganhou uma expressão singular. Aqui, o concreto aparente não
representa apenas peso e monumentalidade: pode criar grandes espaços públicos,
estimular encontros e transformar a própria estrutura em experiência

Cru, pesado e monumental. O brutalismo mostra que o concreto também pode ter
memória, significado — e até emoção.

