O EXEMPLO DO PARQUE BISHAN–ANG MO KIO
Em Singapura, o Parque Bishan–Ang Mo Kio mostra como o urbanismo pode transformar a relação entre cidade e natureza — e como uma solução de engenharia pode se tornar também um convite à convivência.

Com 62 hectares, o parque é um dos maiores espaços verdes urbanos da região central do país. Entre 2009 e 2012, o local passou por uma transformação marcante: um antigo canal de concreto utilitário deu lugar a um rio naturalizado, com margens sinuosas, vegetação nativa e espaços que aproximam as pessoas da água.

A mudança foi muito além da estética. O projeto adotou técnicas de bioengenharia de solos,
combinando plantas e materiais naturais para estabilizar as margens e reduzir a erosão. O
resultado foi uma paisagem viva, que favoreceu o retorno espontâneo da biodiversidade,
incluindo aves, insetos e até famílias de lontras.
Outro detalhe interessante está na forma como o parque lida com as chuvas tropicais. Em
períodos secos, a água corre por um canal estreito e calmo. Quando chove intensamente, as
áreas verdes próximas ao rio funcionam como uma planície de inundação controlada,
conduzindo o grande volume de água de forma segura. Assim, o parque integra lazer,
paisagismo e infraestrutura verde de drenagem.

O projeto faz parte do programa ABC Waters, de Singapura, que busca transformar canais e
reservatórios em espaços mais bonitos, acessíveis e integrados à vida urbana.
Uma lição de arquitetura paisagística: quando a natureza faz parte do planejamento, a cidade
ganha beleza, resiliência e mais capacidade de lidar com os desafios ambientais.

