Startup brasileira investe na produção de Tiny Houses

Uma das pioneiras na criação e construção de pequenas casas no país, empresa fundada recentemente no Rio de Janeiro tem a proposta de popularizar o estilo que propõe moradias mais simples e minimalistas no Brasil

Surgido nos Estados Unidos na década de 90, o movimento Tiny House vem ganhando força e cada vez mais adeptos em todo o mundo. A proposta é a construção de moradias que reflitam um estilo de vida mais simples e acolhedor. Por este motivo, as casas são muito compactas, aproveitando cada centímetro existente. Para se enquadrar no conceito, cada casa deve ter no máximo até 37m2 e são projetadas para abrigarem toda a infraestrutura necessária para garantir o conforto de seus habitantes, possibilitando a vivência em tempo integral nestes espaços. Em países como EUA, Austrália, Canadá e Nova Zelândia esse movimento já é bem forte e estruturado, mas na América Latina, ainda é uma novidade. Nos países citados é comum inclusive a existência de áreas compartilhadas para este perfil de residências, formando pequenos condomínios.

Divulgação

Condomínio de Tiny Houses nos EUA

As principais diferenças entre uma Tiny House e uma casa convencional vão muito além das dimensões da construção. O fato é que elas promovem e refletem um estilo de vida onde a máxima “menos é mais” é levada muito a sério. Por este motivo, são construídas com foco na sustentabilidade e durabilidade. Os materiais utilizados, acabamentos, sistemas construtivos também são completamente diferentes, possibilitando uma construção muito mais rápida, mais limpa, gerando menos resíduos e livre dos excessos. Isso sem contar na economia. Numa Tiny House não existe lugares ou cômodos não frequentados. Todos os espaços são aproveitados e os ambientes estão bem à vista dos moradores. Outro diferencial é que uma Tiny House pode ser fixa ou construída sobre rodas, podendo ser transportada para qualquer lugar.  O desafio de um projeto como este é justamente criar ambientes confortáveis e bem resolvidos em espaços tão compactos. As soluções abusam da marcenaria, além de peças de mobiliário com múltiplas funções e o uso móveis embutidos, facilitando a circulação e o caráter multiuso dos ambientes.

Fundada em 2018, a Tiny Houses Brasil é uma startup brasileira que nasceu em Niterói(RJ), braço da MBA Cultural, empresa especializada em Desenho Industrial e Arquitetura na área cultural, construindo exposições interativas e brinquedos científicos de grande porte para museus e centros de ciência como Museu do Universo, Planetário da Gávea, Parque da Ciência (Fiocruz), entre outros. A ideia das micro casas surgiu depois de uma viagem dos sócios pela Califórnia.

Márcia Brandão, uma das fundadoras da Tiny Houses Brasil explica que, apesar da possibilidade de ter uma casa itinerante, a maioria das pessoas que procuram a empresa preferem ter sua moradia instalada em um local fixo (embora ela possa ser vendida posteriormente e transportadas para qualquer lugar). Cada projeto pesa em média entre 2,5 e 3 toneladas, dependendo do material e acabamento utilizado. Isso significa que elas podem ser facilmente transportadas a partir de uma caminhonete. E caso o cliente opte por ter uma casa itinerante, o projeto precisa seguir normas do Inmetro e do Conselho Nacional de Trânsito, seguindo as dimensões de trailers.

Divulgação Tiny Houses Brasil

Uma visita a um dos modelos da Tiny Houses Brasil

A primeira casa produzida pela nova empresa foi vendida em apenas um mês depois de pronta. Cada projeto leva de 4 a 6 meses para ser finalizado, dependendo dos materiais e acabamentos escolhidos. Ela pode ser entregue já inteiramente mobiliada ou vazia, para o cliente ir mobiliando do jeito que quiser. “Todos os dias recebemos muitos contatos de pessoas interessadas. Estamos trabalhando atualmente num modelo que estamos chamando de mini-mini, que será uma casa para atender famílias pequenas que buscam uma unidade confortável e protegida para ser utilizada em áreas de camping”, afirma Brandão.

Apesar de compactas, o preço das Tiny Houses ainda é elevado para o mercado brasileiro: variam de R$70 a R$150 mil, principalmente se comparado com os preços das casas pré-fabricadas ou até mesmo de containers, mas não é nesta seara que os construtores pretendem concorrer. Porém, considerando questões como a qualidade e a durabilidade dos materiais utilizados e os custos de manutenção, ter uma Tiny House pode sair muito mais em conta que uma casa em alvenaria por uma série de fatores. “Nós importamos o revestimento externo e só esse material possui 20 anos de garantia do fabricante. É extremamente durável e resiste às mudanças de temperatura e ações do tempo. A parte externa da casa não requer nenhum tipo de manutenção especial. O único cuidado é lavar esse revestimento eventualmente com água e sabão”, destaca Márcia.

A construção de uma Tiny House é completamente diferente de uma casa convencional uma vez que elas são montadas dentro de uma fábrica e já chegam prontas no local onde ficarão instaladas. Além disso, temos que considerar que o conceito propõe uma casa sobre rodas, ou seja, ela deve estar sempre apta para se deslocar. E por este motivo, a estrutura deve suportar a movimentação, garantindo a segurança dos ocupantes e a durabilidade do projeto. “Mesmo que a casa vá ficar estacionada em um terreno, temos que considerar o descolamento até este local e a possibilidade de ela ser vendida posteriormente e precisar se deslocar até outros terrenos ou até se tornar itinerante. Eu vejo que o método construtivo se assemelha muito mais ao sistema dos barcos ou iates em função de todos esses cuidados que precisam ser tomados”, destaca Márcia Brandão.

O casal Isabel Albornoz e Robson Lunardi, fundadores do blog e do canal Pés Descalços foram uns dos primeiros no Brasil a investir na construção de uma Tiny House para moradia. A ideia veio a partir de diversas mudanças no estilo de vida do casal, principalmente depois que ambos foram acometidos pela Síndrome de Burnout. Hoje, eles produzem conteúdo sobre o assunto encorajando outras pessoas a conhecerem essa filosofia e oferecem consultorias e mentorias para os interessados sobre o processo construtivo, seus principais benefícios e sobre as dificuldades. E assim como tiveram a oportunidade de viajar para algumas cidades do exterior e experimentar como é viver ou apenas se hospedar em uma micro casa, eles também decidiram alugar um de seus empreendimentos para que o público possa ter essa experiência e quem sabe, se unir ao time de proprietários de uma Tiny House.

Divulgação Pés Descalços

Isabel e Robson, do Pés Descalços, foram um dos primeiros brasileiros a investir na construção de uma Tiny House para morar e hoje compartilham conteúdo sobre o assunto encorajando outras pessoas a adotarem um estilo de vida minimalista

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