CONSTRUÇÃO CIVIL – TENDÊNCIAS

MUDANÇAS, “NOVO NORMAL” E AS CONSTRUÇÕES A SECO

Vivemos em constantes mudanças, constantes descobertas e constantes adaptações. O que mais escutamos nesses tempos de confinamento são opiniões sobre esse “novo normal”. Passamos mudanças no modus vivendi e isso afeta os espaços individuais, coletivos e virtuais. A tecnologia nos acompanha em todas essas mudanças, os softwares, aplicativos e programas nos ajudam a medir as informações e dados e deixar estratégias para resolver as soluções mais organizadas e claras. Com o setor da construção civil não é diferente. As indústrias de tijolos e cimento já enxergam a mudança dos sistemas construtivos, e espera-se para os próximos anos um aumento do setor da construção seca. Arquitetos, engenheiros, construtores e construtoras devem se adaptar a essa nova realidade e se manter à frente do setor, e são fundamentais para nos ajudar a ressignificar esse jeito de morar assim como as melhores formas de construir esses lares.

Nesse texto falarei um pouco sobre esse novo jeito de viver e mostrarei como a construção a seco é uma excelente escolha para entregar ao seu cliente um lar com todo cuidado ao projetar e construir e muito especial para viver. Apontarei algumas das vantagens de se trabalhar com o light steel framing e como utilizar da melhor metodologia para potencializá-las.

Fotos: iStock

São inúmeras vantagens de trabalharmos com o aço leve nas construções. O LSF vem ao mercado como solução para adaptação de prédios existentes, construções rápidas, sustentabilidade, potencialização de reciclagem de resíduos sólidos, pouca geração de resíduos, precisão de montagem, limpeza em canteiro e precisão orçamentária. Todas essas qualidades nos levam a pensar que o concreto, o desperdício de materiais, as obras sem prazos, a madeira e tantas incertezas fazem parte do passado. O novo chegou!

Foto: Flasan
Detalhe telhado Residência Lagoa do Miguelão

Alguns pontos, antes sem relevância, fazem com que a utilização do light steel framing seja hoje fundamental, como o BIM, o meio ambiente, a sustentabilidade nas construções, o crescimento populacional, a alta expectativa de vida, a rapidez de execução, o rápido retorno do investimento financeiro, o conforto térmico e acústico nos ambientes, o nosso “novo normal”.

Estima-se que, apesar da pandemia, ainda estamos prestes a um crescimento exponencial da população e, pelo menos, 70% dessa população ficará nos novos centros urbanos, repletos de salas comerciais ou com novas casas, com novos arranjos setoriais e de programa. Além dos locais de trabalho, necessitaremos de prédios institucionais para atender essas demandas, novos hospitais, delegacias, postos de saúde, escolas, igrejas, locais de armazenamento, centros de distribuições, restaurantes. Os sistemas construtivos antigos não possuem velocidade e eficiência para atender essas readequações urbanas dos espaços públicos e privados, juntamente com as reformas e adaptações dos já existentes. Fica muito mais produtivo trabalhar com o light steel framing ou o drywall nas construções, nas reformas as vantagens se potencializam. Uma vez que a edificação já é habitada, utilizar um sistema construtivo a seco que não envolve água e produz poucos resíduos facilita muito o dia a dia, além disso tudo conseguem-se obras com rapidez, economia, conforto termoacústico e sustentáveis.

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Juntamente com as adequações urbanas, com os espaços existentes e com a crescente urbanização se tem a preocupação com a melhor utilização dos recursos e da energia. As pessoas procuram soluções de sistemas estruturais, de vedação, de esquadrias, de refrigeração e de aquecimento de edifícios cada vez mais inteligentes e funcionais. Após a homologação da norma de desempenho, voltamos a falar sobre o espaço para o ser humano, sobre condições mínimas de conforto térmico e acústico, sobre o futuro dos recursos naturais disponíveis para esse homem viver. Além disso, temos falado e estabelecido padrões para mensurar os quesitos ligados a sustentabilidade e aplicá-los as construções. Existem algumas organizações que cuidam dos termos e critérios de avaliação da sustentabilidade nas construções, o LEED e o SELO CASA AZUL são dois exemplos dessas organizações e cada uma com suas particularidades busca transformar o setor da construção civil. Vale em cada empreendimento investigar a categoria que vai se encaixar, olhando a edificação em si, o entorno do local da obra, o impacto social, os materiais especificados, a eficiência energética, reciclagem, cada exigência de cada organização em cada nível.  Além de você conseguir autoridade, passa a ser referência em práticas construtivas sustentáveis e ainda ganha benefícios em descontos de impostos e subsídios de zoneamento.

O nosso futuro pede que pensemos um pouco mais nas nossas ações. Mesmo que achemos que alguma atitude irá impactar somente nossa vida, na verdade o meio ambiente não é só meu ou só seu. O BIM vem nesse sentido nos ajudar a entender, pelo menos na área da construção, o percurso, as necessidades e as consequências dessas ações. Ao contrário do que muita gente pensa, BIM não é só um software que se enxerga a edificação em 3D, é muito mais. Trata-se do controle e execução da informação na concepção da edificação, na especificação dos materiais, na execução, nos sistemas de qualidade, e também no pós obra. Temos que pensar nele como um novo conceito de projeto e execução dos processos. As construções em aço já fazem uso de boa parte dos ideais de se trabalhar em BIM. Faz parte de sistemas construtivos industrializados pensar em disponibilidade de materiais, depois no projeto, executá-lo, passar as informações para os setores de suprimentos, executar a obra e passar as responsabilidades dos usuários.

Os profissionais e construtoras do setor da construção civil buscam a cada dia melhorias em processos para garantir assertividade na execução das atividades, menos desperdício, menos perda de tempo e de materiais, e consequentemente maior lucro. Além de tudo isso temos que estar atentos às transformações do mundo e cuidar para que a cada dia as construções sejam, em todo seu processo, cuidadosas com a sustentabilidade, com a origem dos materiais, possibilidade de reaproveitamento, reciclagem, logística inteligente e muitos outros aspectos. Para atender a essas necessidades há a procura de novas soluções construtivas. 

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Já falei por alto da Norma de Desempenho, do BIM, da sustentabilidade, das mudanças que estamos passando atualmente e onde eu quero chegar? Eu quero reforçar que utilizar o light steel framing como sistema construtivo potencializa todas as vantagens desses pontos que mencionei acima, inclusive os descontos com impostos, já pensou que maravilha? No século XIX surgiu, nos Estados Unidos, o wood framing, um sistema construtivo composto por elementos leves em madeira maciça tratada. Os, até então, colonos precisavam expandir território e utilizaram desse sistema construtivo para conseguir fazê-lo com rapidez e segurança. O aço começou a ficar acessível após a Segunda Guerra e substituiu gradativamente a madeira, que passou a ser escassa e cara.

No Brasil, o light steel framing chegou em 1990 e, de lá pra cá, só vem ganhando espaço no setor da construção civil. Ainda existe muita falta de conhecimento sobre sistemas construtivos diferentes da alvenaria convencional, as universidades abordam muito pouco outros sistemas construtivos nos cursos, a maioria delas aborda madeira e alvenaria estrutural, quando o fazem. Existe uma necessidade de mudança de cultura em relação a novos estudos e sobre a implantação da gestão na construção no nosso país. Como a própria tradução do nome diz, e reforçando o que foi dito no artigo da edição anterior, o light steel framing é um sistema construtivo composto de estruturas de aço galvanizado laminados a frio.

São consideradas LFS’s, estruturas de aço de 0,80mm até 3mm de espessura. As estruturas são compostas por vários elementos tais como, fitas metálicas, chapas de aço, parafusos, guias e montante que, juntamente com seus subsistemas, garantem a estabilidade da edificação. Ao utilizar esse sistema trabalhamos com as diversas configurações de aplicação dos perfis, podemos desenvolver vigas simples, caixa, duplo caixa e também treliças. Todos os elementos são opções de associações dos perfis.

Fonte: NBR 15253: 2005

Esses perfis têm espessura e dimensões variadas e são especificados conforme necessidade verificada em cálculo. Além dessa diversidade de aplicação dos perfis, deve ser considerado no light steel framing a modulação de 400mm ou 600mm, como também o alinhamento das estruturas. Os perfis que compõem os painéis de paredes, treliças, tesouras e demais elementos estruturais transmitem os esforços até a fundação através do seu alinhamento.

Fonte: Manual de Construção em Aço – Arquitetura – CBCA 2012

Os subsistemas ligados ao light steel framing são chapas de gesso acartonado, chapas cimentícias, membranas hidrófugas e mantas de isolamento termoacústico. As chapas de gesso são aplicadas normalmente em ambientes internos. Existe uma chapa ideal para aplicações gerais em ambientes secos, a chapa ST, e outra indicada para ambientes sujeitos a umidade, a RU. Essas chapas possuem tratamento de juntas, massa e fita, específicas, de acordo com o fabricante. Existem ainda chapas que possuem melhor performance em relação a resistência ao fogo, para locais com equipamentos de raios x, com absorção de cheiro e até chapas de gesso para aplicações em paredes externas. As chapas cimentícias são aplicadas em paredes externas e saunas, podem ser instaladas e executar tratamento de juntas e superfície; é possível também utilizá-las tipo siding, e também com juntas aparentes. O isolamento termoacústico é feito com lã de pet, de rocha ou de vidro, então vale a pena conhecer o produto para especificar com melhor custo benefício em cada necessidade.

Uma das vantagens do light steel framing pouco discutida e destacada é a precisão do orçamento. O controle dos processos e utilização de softwares específicos, permitem o levantamento de cada material e mão-de-obra em todas as fases do projeto, em todas as etapas de obra, e durante todo o processo logístico. O que temos no final do estudo são valores exatos que não mudam durante a obra, você sabe quanto será a obra e pode se programar com absoluta tranquilidade.

Portanto é importante e fundamental ter conhecimento da norma de desempenho, estudar sobre a performance dos materiais ligados ao sistema e subsistemas, dos preços praticados no mercado, para extrair a melhor performance de tudo e potencializar as vantagens do LSF. O processo da obra fica tranquilo e o resultado é uma edificação que respeita ao máximo o meio ambiente, reduzindo os resíduos gerados e trazendo conforto térmico, acústico e economia.

Falar de sistemas construtivos a seco hoje é um caminho sem volta, ninguém imaginava que em 2020 estaríamos usando espaços alternativos em nossas casas para trabalho e estudo. Não dá para prever o que vai acontecer com o mundo e as transformações que o homem irá passar. O que sabemos é que o modus vivendi, a forma com o que a arquitetura é recebida pelos usuários, muda a todo tempo e, pensar em processos de projeto, processos de construção a seco, sustentabilidade, preservação e reciclagem já fazem parte desse “novo normal”. Dessa forma, o light steel framing vem como ferramenta de transformação desses espaços, viabilizando as obras e essas reformas. Precisamos de um novo modo mais consciente de pensar arquitetura, porque isso reflete no modo em que essa arquitetura se conecta com as pessoas e com os espaços externos e une o mundo todo.

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