SETOR MOVELEIRO

Novas estratégias, precisão e sensibilidade

Como as empresas do setor moveleiro estão se reinventando nesse momento

Como se adequar a um momento que envolve tantas restrições e riscos à saúde das pessoas? Muitas empresas precisaram se reinventar de uma hora para outra e descobrir novos caminhos para continuarem atuando no mercado. Pode funcionar na base da tentativa e erro para alguns, pode exigir colocar em prática a experiência acumulada ao longo de anos de produção, mas acima de tudo exige bom senso e também cautela, algo que talvez não combine muito com o mundo pré – Covid 19, em que as respostas tinham que surgir em um ritmo absurdamente acelerado.

Não que isso tenha mudado. Quem responde assertivamente com mais rapidez às alterações que hoje atingem todo o planeta, tem mais chance de sair melhor estruturado lá na frente. Mas, sim, em meio a tantas incertezas, a cautela é primordial. Consolidada e completando 75 anos no próximo dia 16, a Líder Interiores já passou por muitas fases, incluindo algumas mudanças da moeda vigente no país e três incêndios em seu parque industrial. Para o Conselho da empresa, entretanto, nada que se assemelhe ao momento atual. 

Divulgação Líder Interiores
Tiago Nogueira, gerente de marketing e vice-diretor comercial da Líder

Para enfrentá-lo, Tiago Nogueira, gerente de marketing e vice-diretor comercial da Líder, conta que a primeira estratégia foi a de criar um Comitê de Risco, para saber o que fazer e também para mudar a forma de decidir. “Fomos a primeira grande indústria do setor a parar no Brasil, no dia cinco de março”, comenta. Parar, talvez, não seja a palavra mais adequada, pois apesar de abrir mão da presença dos funcionários na fábrica, o Comitê de Risco envolveu-se em um plano de ação junto com a prefeitura de Carmo do Cajuru, M.G., e a Vigilância Sanitária. “Toda a cidade serviu-se dessa referência do nosso trabalho. Tínhamos que encontrar uma maneira de colocar os trabalhadores em nível de segurança”, explica.

Jomar Bragança
Loja Líder no Sion, em Belo Horizonte/MG

Do ponto de vista industrial, entre as propostas implantadas, atualmente todos os funcionários tem a temperatura medida logo na entrada, onde também foram colocados grandes tapetes embebidos em cloro e água sanitária para higienizar os calçados de todos. Da mesma forma, o número de lavatórios foi ampliado dentro da indústria, bem como a oferta de álcool em gel e máscaras. Estas últimas, em produção própria, que foi distribuída por toda a cidade. Além da Vigilância Sanitária fiscalizar o local três vezes por semana, o número de ônibus que conduzem os funcionários foi triplicado, para respeitar o espaçamento entre as pessoas.

Em termos institucionais, as mudanças não foram menores. Tiago conta que a marca mudou a comunicação, passando a ser mais enfática com os cuidados que o momento pede. As equipes de venda também estão atendendo em esquema de home office e, eventualmente há visitas, feitas com agendamento, às lojas físicas. “Como são lojas muito amplas, de 1000, 1500m², a gente entende que isso não incorre em risco”, explica.

Divulgação Líder Interiores
Loja Líder no Jardim América, em São Paulo/SP

Se a produção sofreu uma redução de 40%, já que foi esse também o número de redução de funcionários presentes na fábrica, a fórmula encontrada foi a de trabalhar a comunicação com os clientes que, segundo Tiago, estão entendendo os novos prazos. “Entre três mil entregas ativas só tivemos dois cancelamentos”, comemora.

Tiago percebe, ainda, uma segura opção dos clientes pela marca, por causa da solidez da empresa e da consistência contábil e administrativa que a Líder tem. “Nesses 75 anos temos procurado rejuvenescer, mas também já passamos por muitas coisas. Acredito que exista um calo que corrobora a nosso favor, nesse momento tão triste da nossa história.

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