Projeto vencedor do concurso nacional propõe um edifício aberto à cidade, com espaços flexíveis e integração à Avenida Paulista
O futuro edifício do Itaú Cultural, que será construído na Avenida Paulista, nasce com a proposta de ampliar não apenas a estrutura física da instituição, mas também sua presença na dinâmica urbana de São Paulo. Vencedor do Concurso Nacional de Arquitetura promovido pelo Instituto Aço Brasil, o projeto apresenta uma arquitetura aberta, flexível e integrada à cidade, na qual a estrutura deixa de exercer apenas uma função técnica para assumir papel determinante na concepção dos espaços.
Com inauguração prevista para 2031, a nova sede será implantada ao lado da estação Trianon-Masp, em terreno vizinho ao edifício da Fiesp. O complexo contará com 19 pavimentos, sendo seis dedicados a exposições, além de novo teatro, restaurante, café e áreas de convivência preparadas para receber um público significativamente maior.




Assinado pelo Estúdio Módulo, escritório responsável também pelo Centro Cultural Rio-África, no Rio de Janeiro, o projeto foi concebido a partir de um princípio que aproxima arquitetura, engenharia e cidade. A proposta transforma a estrutura em parte da linguagem arquitetônica, permitindo que circulação, luz natural e paisagem dialoguem de forma contínua com a Avenida Paulista.
“Desde o início, entendemos que a estrutura deveria participar ativamente da construção da experiência arquitetônica, e não apenas resolver questões técnicas. A principal intenção do projeto é estabelecer uma relação intensa com a Avenida Paulista, tanto visual quanto espacialmente, fazendo com que o edifício seja percebido quase como uma continuidade do espaço urbano”, afirma Marcus Vinícius Damon, sócio-fundador do Estúdio Módulo.
Essa estratégia se materializa na concentração dos apoios estruturais nas fachadas longitudinais, solução que libera grandes vãos internos e reduz interferências nos ambientes destinados às atividades culturais. O térreo permeável amplia a integração com o espaço público, enquanto retrações nos pavimentos superiores e a expansão gradual dos níveis inferiores conferem leveza e dinamismo à volumetria da edificação. Para viabilizar essa geometria, o projeto incorpora vigas de transição, sistemas treliçados e pilares inclinados capazes de redistribuir os esforços estruturais ao longo da construção.
A estrutura será predominantemente composta por aço associado a lajes steel deck, formando um sistema misto em que concreto armado e estrutura metálica atuam de maneira complementar. Os núcleos de circulação vertical serão executados em concreto, enquanto a predominância do aço reduz o peso próprio da edificação, permite vencer grandes vãos e oferece maior liberdade para futuras adaptações dos espaços culturais.

